terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A GLOBALIZAÇÃO ESPIRITUAL E FÉ NO MUNDO

Por Prof. Francisco Neto

O antigo e conhecido fenômeno da Mundialização já não mais se atem a setores específicos da sociedade, como no passado a consciência de mundo era muito diferente dos dias atuais, já não podemos mais dizer que existem nacionalidades, costumes de um povo,cultura ou Religião. Gálatas(3,26)" está escrito que “Não há judeu nem grego, não há servo nem livre, nao há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus".

Na contemporaneidade a globalização material rompeu com uma ordem geopolítica e comercial baseada nos antigos conceitos de Estado e Nação onde dão nova roupagem as diversas formas de controle social.Onde a cultura tornou-se internacional,ou seja não mais especificas de um povo, mas de todos os povos onde o modismo desponta como a grande vedete do momento.

Outrora os indivíduos delimitavam e marcavam seus territórios, lugares estes que transformava-se em grupos identitarios onde o individuo e o lugar se confundiam .Todavia esse tempo fora jogado no ostracismo, pois as nações atualmente rompem fronteiras territoriais, estupram os mercados nacionais desmantelando então a consciência de Nação.

A individualização e o excesso de autonomia do Ser humano contemporâneo incentivada pelo capitalismo de consumo, pilotado pela Mídia que nos diz o que fazer, pensar e agir nos empurra para um abismo cultural e religioso onde pacotes prontos nos são impostos,acriticamente diariamente, quer seja pelos comerciais na televisão ou na poluição visual dos Out Door’s nos cantos da cidade

A globalização Espiritual relegou a fé e religiosidade tradicional a meros espectadores da comercialização da fé na contemporaneidade. A industria televisiva ou fonada transformam em Pop’star Padres e Pastores vendendo uma imagem de ,jovialidade e sapiência de modo a alienar a população jovem desatenta. Estádios de futebol lotados, coreografias entre sacos de dinheiro em oferta ao “Senhor”, são mostrados a todo momento como forma de exaltação e conquistas terrenas através da fé alienada.

A cultura como forma de dominação social em prol do enriquecimento. A Rede Globo de Televisão em suas ultimas novelas “O clone” e“Caminho das Índias”, ao invés de mostrar as diferenças, culturais e religiosas de um povo, remete a população brasileira ao modismo de amuletos, roupas e expressões sagradas para uma nação, induzindo através do fascínio aos jovens desejarem e participarem de religiões, da mesma maneira que exibem a propaganda um novo de tênis que fora feito para “jovens e inteligentes”.

Jorge Claudio diz que a globalização da cultura aboliu a noção de Estrangeiro,onde não havendo mais Nação nem conceito de Religião Nacional como caráter identitário de um povo será mais fácil alienar o cidadão deste mundo sem nomenclaturas levando-o a fazer parte de qualquer crença e religiosidade bastando apenas participar de guetos ou simplesmente estar na Mídia.

Religiões salvadoras da humanidade sem nacionalidade são criadas e mais pessoas migram de sua antiga fé para as que possam lhes “revelar”, pois não tem identidade e procuram um lugar na nova ordem social.

Destarte, nós educadores engajados na formação de uma consciência critica Religiosa nso jovens, devemos nos ater a Criticidade através da refutação de padrões impostos.Deve-se buscar conhecer, mas sobretudo como prelecionava o Pr. Martim Luther King Jr. “Devemos fazer acontecer, pois somente saber, conhecer não é suficiente pois o conhecimento por si só é nulo”.

Investir no resgate da consciência ética e histórica do Ser humano e o papel que Deus tem na vida de cada Ser, são alguns dos caminhos que o educador deve permear tentarmos mudar o cenario de religiosidade e fé no mundo

BIBLIOGRAFIA

Ver CHARLES D’AMEIDA.Farturas e Venturas Camponesas.UNEB-SAJ

Jorge Claudio Ribeiro-Perfil da Religiosidade do Universitario. PUC-SP

Ver a obra de CRHISTIAM.O jovem Martim Luther King

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARTIGO: A CRIAÇÃO DO MUNDO PELA ÓTICA DA MITOLOGIA E FILOSOFIA AFRICANA- O IGBADU-Por Prof.Francisco Neto



O GÊNESIS PELO VIÉS DA MITOLOGIA E FILOSOFIA AFRICANA: IGBADU

Por Prof.Francisco Carlos de Aguiar Neto

-Historiador-UNEB-Campus V- SAJ-Ba;
-Especilista em Psicopedagogia-FACE- Valença-Ba
- Bacharel em Direito-FAINOR-Ba;
- Pós-Graduando em Direito Penal e Crime Organizado-FTC-Flex-Ead;
-Graduado em Filosofia-FBB-Faculdade Batista Brasileira-BA;
- Mestrando em Teologia e Educação Comunitária -EST-São Leopoldo RS;
- Mestrando em Educação e Contemporaneidade-UNEB Campus I- Salvador-Ba; -Membro da AVELA- Academia Valenciana de Letras, Educação e Artes-
- Diretor Geral do IESTE- Instituto de Educação Social e Tecnológico.
Membro do CENPPE- Centro de Pós Graduação Pesquisa e Extensão

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Muito se fala da origem da religiões no mundo e com isso as explicações também da origem do mundo. A mais conhecida no mundo ocidental Cristão é O Gêneses da bíblia Cristã, contudo não podemos nos esquecer das varias outras versões que compõe a formação do Cosmos como as teorias Gregas dos Deuses Cronos; Romanas com o Deusa Demether; Hindus com o Deus Shiva, e a, Áfricana considerada por muitos historiadores como a mais antiga de todas .

E é nesta ultima fonte que beberemos, contando como mito , a origem do mundo pelo prisma Africano, que nos levará a entender coisas simples do nosso cotidiano que corrobora as teorias de Culto mais antigo da humanidade, mostrando que em algumas partes do Ig Badu são quase que verdadeiras copias de passagens da religião Grega, Romana e da Cristã, contudo os fatos relatados pelos mitos nagôs são bem mais antigos do que as religiões anteriormente citadas. Então neste entendimento nos leva a indagações do tipo: Será que passagens de nossa bíblia Cristã e das mitos Gregos foram copias de passagens do Ig Badu Africano?? É o que veremos apartir dessas discussões

Conhecido como O MITO DO OLORUM, passados de pais para filhos pela nação Nagô , configurando-se então um elo de ligação da criação artística com as raízes africanas e religiosas, ressalta que antes de tudo existia apenas o Orum, ou seja o Céu dos Africanos, onde reinava a Paz , a calma, contudo o Deus Supremo Olorum ou Olodum, pensou em Criar um mundo humano, com seres a sua imagem e semelhança, mandando desta forma seu filho Primogênito Obatalá para dirigir esta empreitada que seria a criação do Ayê (terra).

Contudo pela prepotência de pensar em ser o filho do Deus Supremo desobedeceu, algumas regras a serem cumpridas, como por exemplo a consulta ao Oráculo de Orumilá, Deus da Sabedoria, que aconselhava que fosse tomada algumas providencias antes de sair para executar a empresa. Nesta época toda e qualquer ação que fosse ser empreendida, deveria antes de realizá-la consultar o Oráculo de Orumilá que lhes diria o que iria acontecer e determinava o qual Ebó (oferenda) deveria ser feito para a diligencia dar certo.

Pelo motivo de não respeitar o Oráculo do Deus da Sabedoria é que o mesmo, por artimanha de Exu, Deus mensageiro, que colocou no meio do deserto ( orum-oun-ayê), um pé de Omeju opé que ao beber a sua seiva, para saciar a sede, caiu embriagado, falhando na criação do Ayê.

Ressalta o mito Africano que após o acontecido o Deus mensageiro Exu, dirige-se ao Deus Olorum e informa sobre o fracasso de seu primogênito , exigindo punição para obatalá. É justamente nesta passagem que uma frase dita pelo Deus supremo se aproxima do que prelata o o evangelho Cristão que fala “que nada cairá ao chão sem a vontade e permissão do vosso pai” (Mateus 10:29).

Onde o Deus Olorum responde ao Mensageiro Deus que não teria porque punir seu filho primogênito, pois ele é o Deus da compaixão e do amor e que nem uma folha sequer cairia sem a sua vontade e o que acontecera com seu filho, fora planejado por ele e que obatalá teria que passar por isso para realizar um tarefa maior a frente.

Tal afirmação feita pelo Deus Africano nos lembra o calvário de Jesus Cristo, que mesmo sendo filho de Deus teve que passar por todo sofrimento para cumprir uma missão maior de salvação da Humanidade.

Neste sentido, vemos então que a historias religiosas se repetem em alguns aspectos, variando os personagens, lugares e filosofia, mantendo a essência de um Ser Supremo criador e detentor de todas as coisas.
Seguindo o contexto do mito africano, pelo fracasso de Obatalá fora passado a incumbência a sua irmã Ododuá que posteriormente fora chamada de Ilê Ayê (senhora da Terra).

E interessante ressaltar que nas religiões Paternalistas como a Cristã, que impõe na figura do Homem o Poder Central e de Criação , na mitologia Africana coloca a mulher como ponto central de Criação, onde fora uma mulher que criara a Terra. Muito mais plausível e inteligível ,visto que é a mulher que tem o Dom da Criação, ou seja o dom da Parturição e não o Homem.

Baseado então em uma sociedade Matriarcal o mito Nagô, ressalta que após receber a incumbência do Deus Olorum, a princesa Ododuá, dirigiu-se até o Deus Orumilá, ouvindo-o seus conselhos e sugestões, cumprindo o Oráculo e fazendo os Ebós (oferendas) determinado pelo Deus da Sabedoria, sendo por isso, motivo precípuo da diligencia ter logrado êxito.

A Criação da terra acontece em um episódio chamado ORGAMOS CÓSMICO, que conta que ao chegar no final do Orum, onde existia o Nada, para criar o Aye, a princesa acompanhada de seus batedores como os deuses Oxossi, Ogum, Aroni), depararam-se com o grande e inimaginário “Vazio” (buraco negro), onde todos ficaram abismados com a horrenda visão. Momento em que Ododuá tira do Apo iwa, conhecido saco da Existência dado pelo seu Pai, um pó mágico de Yerofá e o joga-o no Nada, onde naquele instante começa uma grande ventania que assustam a todos. Tomando proporção de furacão e de destruição, onde todos os Deuses Africanos ali presentes prostram-se em respeito aquela força celestial. Quando tudo parecia perdido a princesa Ododuá fala em tom alto e Vociferante: “Levanta-te e controla os Ventos Oyá/ Iansã, pois tu és a Deusa dos Trovões e das tempestades”.Onde a citada Deusa ergue os braços acalmando os ventos, estando então, formado o primeiro elemento da natureza o AR. Logo em seguida, Ododuá joga outro Yerofá (pó mágico) para cima que em contato com o vento / ar recém criado, começa a cair água do Céu, em forma de chuva que logo, inundando todo o final do Orum, e em contato com o vento, cria-se ondas gigantes que ameaçam engolir a todos, onde neste momento novamente Ododuá ordena que as Orixás Oxumaré controlasse as águas doces e Yemanjá controlasse as águas salgadas, dando os títulos a ambas de Deusas dos Águas, momento em que as grande ondas se acalma, criando-se então o segundo elemento a ÁGUA; Ainda neste momento segundo o mito, é criado o elemento terra, onde a princesa suprema, filha do Deus Olodum, saca do Apo iwa ( saco da Existência) um outro bocado do Pó de Yerofá e atira as águas que mistura-se com a mesma, formando um lamaçal pantanoso que começa a tudo tomar e a engolir os Deuses ali presentes, momento em que é retirado do Saco da Existência um Camaleão, animal sugerido para viagem pelo Deus da Sabedoria Orumilá que cospe fogo, cedido pelo Deus Xangô petrificando toda a lama transformando-a em magma terrestre.

E assim sucessivamente criam-se os quatro elementos da natureza ,Terra, fogo ,água e Ar, que formarão o mundo material que os Deuses chamam de Ayê.

É interessante ressaltar que os mitos religiosos em geral colocam uma figura masculina como fonte criadora de todas as coisas, deixando preponderar o caráter patriarcal que envolve não só as sociedades, mas também os preceitos religiosos. Contudo nesta versão gênica Africana, a mulher aparece como fonte criadora da Terra, onde é incubida pelo seu Pai Celestial, o Deus supremo que lhe dá as condições para gerar a terra, ou seja parturi-la.

Analisando sobre o prisma da criação é realmente a mulher e somente ela que tem o Dom da Maiêutica, ou seja de gerar e parturir um Ser, e porque não a mulher para gerar e parturiar a Terra, lar dos seres humanos, desmistificando as versões Paternalistas que as religiões colocam a mulher em segundo plano, como apenas coadjuvante na criação, desenvolvimento do ser humano. De acordo com a nomenclatura dada a essa mulher, Deusa, fonte criadora da Terra seria Ilê Ayê e em boa tradução Nagô / Yorubá, “ a Senhora da Terra”, não um senhor, mas a senhora da terra.

Desta forma , a mitologia Africana afirma que as mulheres são muito mais fortes e inteligentes e perspicazes que os homens, por deterem o poder da criação. Em um dos diálogos firmados entre a Princesa Ododuá e o Deus da Sabedoria Orumilá, logo após a criação do Aye , muito preocupada e com medo de seu irmão Obatalá, que havia falhado na criação do Aye, quisesse invadir a terra para assim, poder conquistá-la e reinar sobre ela. Pergunta ao Guru, o que aconteceria então apartir daquele momento, recebendo a orientação que esta deveria então aguardar seu irmão chegar com as “Cabeças” no final do Orum, defronte ao Aye e tomá-lo como marido, onde ambos reinariam no Aye. Momento em que a mesma retruca afirmando que seu irmão era um homem rude, grotesco e jamais daria certo este reinado e não a ouviria em momento algum, pois seria inerente ao Ser masculino tal prepotência. Contudo Orumilá ressalta que a Deusa deveria com jeito , perspicácia e ardil, fazer o homem achar que era ele que estava decidindo todas as questões, contudo, na verdade através do convencimento seria a princesa que faria ele fazer o que queria, pois “ é na aparente fraqueza da mulher que esconde-se a sua maior fortaleza”.(OXALÁ,Adilson:Igbadu.Pallas)

Nesta passagem do povoamento do Aye, podemos então inferir que ainda nos dias atuais o homem apesar de se achar no controle de tudo é muitas vezes a mulher que com jeito e sabendo pedir, sugerir e convencer que realiza o que quer, fazendo então o homem achar que fez o que quis e de seu modo. Desta forma, corrobora a teoria anterior da superioridade da mulher sobre o homem.

Uma outra explicação da versão do Genesis do Ig badu africano é que explica de modo singular as diferenças dos seres humanos na terra, mostrando o porque de sermos altos, baixos, magros, gordos, com olhos grandes ou pequenos e outras características peculiares que cada um possui, sem nunca um ser igual ao outro e mesmo os gêmeos univitelinos possuem suas diferenças.

De acordo com o mito, após o Aye ( terra) estar criado, havia a necessidade de se seguir a determinação do Deus Olorum, ou seja, de povoar a terra com seres humanos a sua imagem e semelhança, onde neste momento o Deus Obatalá ,filho do Deus supremo, que havia falhado na empreitada da criação da terra por ter bebido líquido fermentado, fora novamente chamado pelo seu pai, ou seja, já estava escrito que iria falhar na primeira empresa para somente depois reaparecer para fazer cumprir a profecia de povoamento da terra.

Olorum encaminha o seu filho até o Alajá oleiro do Orum para este começar a confeccionar as “Cabeças” para o povoamento do Ayê, onde o velho e cansado oleiro passou através do barro a forjar as primeiras “cabeças”, contudo o tempo era escasso e Obatalá com pressa pede celeridade ao Oleiro do Orum, pois sua irmã o esperava na entrada do Aye para provoá-la de “cabeças” e então em polidez ao pedido do filho do Deus , Alajá começa a ser menos cuidadoso na produção dos seres humanos e em ritmo de produção acelerada, começou a fazer uma cabeça maior que a outra, mais larga, gorda, baixa, magra e assim nasce as diferenças físicas do seres que viria posteriormente a ser chamado de humanos.

Apesar de sermos diferentes a questão suscitada no Mito do Olorum é que fomos criados do mesmo barro e moldados pelo mesmo Oleiro e por isso devemos amar uns aos outros, sem nenhum tipo de preconceito. Versão também usada pelo Genesis cristão que ressalta que Deus fez o homem do Pó (barro), soprando em suas narinas o fôlego da vida.

Ao final de tal empreitada com o exército de “Cabeças” já preparadas para adentrar o Ayê, enfrente a esta tropa, portava-se imponente Obatalá, o filho do Deus supremo, que após alguma resistência por parte de sua irmã Ododuá, povoa-se então a terra com as Cabeças de barro, que fora soprado “ o hálito Divino” dado por Olorum, onde a vida passou a existir.

Desde então a vida passa a florescer na terra, animais, homens ,fauna e flora em perfeita harmonia, neste momento ao longe ecoa uma pequena conversa dos Deuses que acompanharam a princesa Ododuá até o final do Orum para a criação do Aye, onde o Deus Orumilá que tudo sabe e vê , diz que apartir daquele momento os Deuses africanos começariam a morrer, porem é indagado pelo Deus mensageiro Exu que duvida que os deuses pudessem morrer e pergunta como aconteceria esta suposta morte. Orumilá ressalta que apartir da criação do homem na terra os Deuses passaria a se alimentar somente de Oração, oferendas feitas pelos humanos, criando assim o culto religioso e que quando esses humanos, imagem e semelhança dos Deuses parassem de adorá-los e reverenciá-los esquecendo-os, aí sim começariam a morte dos Deuses. E termina sua fala dizendo que o ultimo Deus a Morrer seria justamente Exu, pois seu símbolo é o circulo que significa o infinito e é através dele que os pedidos são levados aos deuses.

Assim um Deus que a priori seria imortal tornar-se-ia mortal pela falta de sua lembrança, pelo esquecimento de seu culto, pois eles somente comeriam e beberiam através do culto religioso.

É interessante então ressaltar que o Deus / Orixá Exu ao contrário do que se conhece através do senso comum que o coloca como “um ser diabólico”, nada tem haver com o mal, pois trata-se de um Deus mensageiro, onde leva os pedidos feitos pelos homens ao Deus supremo e aos outros Orixás, não tendo discernimento entre o bem e o mal e trazendo-os conforme o pedido.

Se prestarmos atenção a simbologia do Ig badu, podemos ver uma mulher segurando uma cabaça de côco onde o côncavo superior é branco simbolizando o Céu (orum) e o côncavo inferior negro, simbolizando a terra (ayê), depreendendo-se desta filosofia, que assim como o céu completa a terra, o bem completa o mal, o claro completa o escuro ; Assim como o homem completa a mulher, o bem completa o mal, ou seja, não são forças contrárias mas forças que se completam.


Fica notório que segundo a mitologia e filosofia africana o Bem e o Mal não são forças contrárias. O mal não é considerado como ruim, ou o bem como algo bom. O mal é uma força da natureza assim como o bem se constitui em uma outra força Natural do universo. E por isso ao pedirem através das oferendas / Ebós ao Mensageiro Exu que leve um pedido do mal para o Deus supremo este o fará sem achar que está levando ou trazendo algo de ruim. Geralmente usamos um exemplo bem simples para entendermos o Deus mensageiro Exu. Caso alguém coloque uma bomba no correio para um determinado destinatário, não será culpa do carteiro mensageiro que levou a caixa com a bomba para o remetente. Ou será? Apenas estará cumprindo a sua missão! Este símbolo que explica as forças da natureza somente séculos e séculos depois é que foi desenvolvido pelos chineses a hoje conhecida filosofia do Yin Yang, que segundo teorias historiográficas teriam se originado na filosofia africana do Ig badu.

É uma pena vermos na contemporaneidade o preconceito que em muitas vezes levado ao extremo, até mesmo pela falta de conhecimento em relação a mitologia, filosofia e religiões africanas, em relação as nomenclaturas dos Deuses, pois quando se fala no Deus mensageiro Hermes da Grécia antiga, logo se imagina um homem alto, branco, loiro de olhos azuis, corpo perfeito e monumental de pés alados, contudo quando nos referimos ao Deus Mensageiro Africano Exu, imediatamente as pessoas fazem a conotação com a personificação do Demônio. Isso se dá justamente pelos aspectos culturais enraizados na mente do nosso povo, onde estigmatizaram os costumes e religiões africanas com a prática de bruxaria e cultos ao diabo sendo fruto do processo de formação de imagens estereotipadas colocadas pelo visão eurocêntrica da historia mundial.

“...como se pode diferenciar um grego ou romano de um Ilê, Jêje, Nagô ou Banto quando em momentos de desepero roga aos céus? ... ó Zeus, Ó Netuno ,ou será yemanjá ou Oxumaré?.... Onde as trombetas anunciam o prelúdio do amanhã.. .Deus, Geová ,Alah ,Olorum, Zeus, Maomé, Buda... São disputados a tapas por incrédulos fiéis (Vivendo e Lembrando: Historias,Filosofia e Poesias .Editora Ieste 2010)

Segundo o pastor Martin Luther King, “devemos ousar, contudo ,devemos antes de ousar conhecer”. O pastor, ainda jovem queria dizer que antes de ousarmos a fazer ou falar algo, temos que conhecer o que estamos fazendo ou falando ,e diz mais, “ que após conhecermos devemos disseminar o conhecimento,pois este por si só é nulo”. Desta forma, deve-se antes de falar mal de algo conhecê-la realmente e após a absorção deste conhecimento devemos professá-lo de forma a informar as outras pessoas do que se trata, mesmo que não seja o que você acredita, pois o conhecimento deve sempre ser passado a diante. Em palavras mais simples, devemos respeitar o que os outros pensam e acreditam para não cairmos no erro do etnocentrismo

Uma outra explicação muito interessante e simples nos é dada pela Filosofia Africana a respeito do porque das mulheres hodiernamente andarem enfeitadas, maquiadas, arrumadas , explica ainda através deste mito, qual o fundamento da rivalidade e competição das mulheres entre si, terminando por fundamentar a base do corporativismo masculino que reina até os nosso dias.

Conta a mitologia africana que um dia o Deus da Sabedoria Orumilá , viu passar a mais bela mulher que o mundo já viu, a Deusa da Beleza Oxum também conhecida como a deusa das águas doces, uma espécie de Helena de Tróia da Mitologia Grega ou Afrodite, e enlouquecido de paixão ficou. Porém ao cortejá-la, a mesma disse que somente se casaria se o oráculo lhe passasse os segredos da adivinhação. É de se ressaltar que nestes tempos em que os Deuses reinavam plenamente, quem somente detinha o poder Oracular de adivinhar, como era chamado, o Dom da previsão e sapiencia: Os Segredos do Odu Ifá, do futuro eram os homens, ao contrario do que hoje se pensa, onde prepondera a idéia que a mulher detém o sexto sentido. Por estar cego pelo amor, Orumilá organiza um sistema de jogo de búzios que servia para adivinhar (ajé) o futuro e passa para seu amor Oxumaré, que achando pouco e sabendo que seu futuro marido havia escondido um trunfo nas Mãos, pede a Exu o deus mensageiro que lhe dê o verdadeiro segredo dos Ifá, e pelo fato de Exu ser apenas um Deus mensageiro, não tendo como conduta social saber se o pedido foi para o bem ou para o mal, rouba os segredos do Ifá do seu amigo orumilá e os entrega a sua esposa Oxumaré, que apartir daí forma-se a hegemonia feminina no território do Orum /Ayê (Céu e terra), criando-se a sociedade Gueledé, onde somente as mulheres participavam em reuniões na mata, e a senha para entrar neste circulo seria a mostra dos seios, barrando desta forma todos os homens que jamais poderiam saber o que ali seria discutido.

Ao contrario do que se pensa somente apartir deste fato narrado é que as mulheres passaram a ter domínio sobre os segredos da premunição e adivinho, pois era algo exclusivo dos homens serem oráculos e o Poder de prever o futuro.Tal fato é interessante pois diverge com os mitos da Grécia antiga que dizia justamente ao contrario, onde a mulher detinha o Oráculo, por considerem que elas eram mais fracas e por isso seria mais fácil de ser tomada por um oráculo (espírito), o que jamais, segundo esta filosofia, aconteceria com um homem por ser mais forte não sendo suscetível e este controle espiritual.

Fica notório as diferenças da mitologias africanas e gregas onde a primeira ressalta que alguns aspectos o valor da mulher em ser criadora e ao mesmos tempo precária no poder do sentido extra-sensorial e a segunda que coloca o homem como ponto hegemônico de toda a sociedade não admitindo sua fraqueza.

Ainda neste contexto mitológico, após Orumilá sentir-se roubado, este chama do Deus mensageiro Exu para promover sua vingança e lhe pergunta, qual seria o ponto fraco na mulher para assim poder contratacar. O Deus mensageiro responde sem nenhum pudor, que seria a Vaidade feminina. Desde então o Deus da sabedoria conclamou todos os homens que apartir daquele dia passassem a elogiar, envaidecer as mulheres para que elas largassem as “coisas sérias da vida como a política a administração” do mundo e se ativessem as coisas fúteis como a vaidade, enfeites, penteados e pinduricados, onde os homens voltassem a controlar novamente a sociedade e todos os seres masculinos se unissem em corporativismo para retomar o poder do mundo.

Esse episódio narrado como a “Vingança de Orumilá” nos mostra que através de uma estratégia os homens passaram a induzir as mulheres na vaidade e com isso despertou uma espécie de concorrência entre as mesmas, fazendo desta forma a desunião do grupo feminino que controlava a sociedade Matriarcal da época.

Isso também explica porque os homens até os dias atuais servem de álibi uns para os outros, pois fora combinado na gênese do mundo, segundo a mitologia africana que os homens seria solidários entre si, contra as mulheres e elas inimigas entre si por causa da vaidade.

A mitologia e filosofia africana não perde nenhum detalhe e tenta explicar através de historias simples, recheada de passagens cotidianas e exemplos corriqueiros para dar explicações divinas. Tais exemplos também são dados pelos Hebreus onde contam historias que chamam de Midraxes Alaká ou Midraxes agadá, onde após a narrações metafóricas, chegam ao exemplo de vida e moral social e religiosa de cada historia, também usada por Jesus cristo, descrito tanto nos evangelhos canônicos quanto nos apócrifos.

Como é cediço, encontraremos outras versões muito parecidas destes mitos em diferentes nações africanas como também passagens que parecem uma verdadeira copia em outras civilizações, pois segundo Joseph Campbell, um dos maiores antropólogos do
mundo, em seus estudos sobre mitos mundiais, afirmou que todos eles são a mesma história, porém contadas com inúmeras variações e adaptadas à realidade de quem a
conta. Seus detalhes são diferentes em cada cultura, mas, fundamentalmente, são sempre iguais. E completa afirmando que toda cultura antiga e pré-moderna utilizava
uma técnica ritmada para contar histórias retratando os protagonistas e antagonistas com
certas motivações e traços de personalidade constantes, num padrão que transcende as fronteiras da língua e da cultura.

Desta forma, nesta versão mitologica Ododuá e Obatalá desempenharam tarefas igualmente importantes, com a conspícua ajuda de todos Deuses orixás, que possibilitaram o surgimento de um mundo lindo e perfeito em que vivemos.

O mito do Olorum equaciona as rivalidades entre homens e mulheres mostrando que ambos são importantes para Deus e que um não pode viver sem o outro, sendo a parte que completa a outra metade.
Assim ressalta sobre o principio da igualdade entre homens e mulheres que até hoje perdura a quizila histórica sobre a supremacia de um sobre o outro

Neste contexto, devemos então ter a consciência de mesmo as teorias que expliquem a criação do mundo divirjam, completem-se ou simplesmente se repitam entre diferentes povos, em estanques regiões e tempos históricos diversos temos que ter a consciência que todos os seres humanos, sem distinção de raça, crédulo o condição social configurando-se seres sociais frutos de sua cultura e contexto histórico e que se deve respeitar todas as culturas e religiões , pois buscam um só resultado, que é a busca e respeito por um Ser Supremo que nos proporcione uma passagem confortável pela terra e que para uns pode ser chamado de Deus, Zeus, Olorum ,Buda, Alá, Shiva, Eloín,Yawé ,dentre outros, onde ate mesmo os céticos crêem, que não existe o que crer.

Os mitos, como também a filosofia serve para explicar de maneira plausível e inteligível e racional o que se é explicado e muitas vezes não compreendido pelo sobrenatural e transcendente.


Poesia do Livro Vivendo e Lembrando:Historias,filosofia e Poesias-Prof.Francisco Neto Editora IESTE BA-2010

ILÊ AYÊ


Mulher criadora da terra
Que inebria o viver
Que arrebata as almas levadas pelo Ikú

Ser feminino de olhos glaucios
Lábios ambrósios e pele cetim
Ruboriza os sem experiência
Delicia os mais vividos

Sapiente e atenta e não menos perspicaz
Faz de sua aparente fraqueza ardil armadilha
Que subsume a sua sedutora inocência e a
Infantil voracidade

Dona do mundo, da terra, dos homens
Vassala,submissa, sempre indefesa
Nos faz devanear sobre a sua existência


NOTAS:

Para Jung, mito é a conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo, uma
união de consciente e inconsciente coletivo, assim como as formas através das quais oinconsciente se manifesta. O mito é aquele que remete, o rito é sua ação.

OXALÁ, Adilson.Igbadu; A cabaça da Existência.Mitos Nagõs Revelados.Editora Pallas.
Genesis da Religião Africana segundo a nação Nagô

Versão congênere aGrega que fala sobre a idéia de Zeus em Criar a terra
Olorum ou Oldoum é o nome dado ao DEUS africano. Olô = Senhor; Orum = Céu;Tradução Senhor do Céu

Nome do Filho primogenito do Deus Olorum na mitologia Nagô;Iremos encontra-lo com o nome de Oxalá na mitologia de outras nações africanas

ORUMILÁ- Deus da Sabedoria/Que tudo sabe e tudo vê/ Orum = Céu; Mi = meu;Lá = Conhecimento.Tradução: o conhecimento de todo o Céu( ou seja universo)
O oráculo tambem era usado na Grecia Antiga, antes de se tomar uma decisão ou quando nascia um filho do casal.

Exú foi o terceiro elemento criado, para ser o elo de ligação entre todos os orixás, e deles com Olorun. Tornou-se costume prestar-lhe homenagens antes de qualquer outro, pois é ele quem leva as mensagens e carrega os ebos (oferendas).Nada tendo a ver com a imagem criada pelo senso comum de Ser Diabólico

Orum-oun-ayê significa deslocamento/ caminho do Ceu para a terra que passa por um grande deserto até chegar ao final do Orum

Omeju Opé: Dendezeiro Planta Africana que ao beber a sua seiva chamada Emú o Orixá Obatalá falha na missão de Criar o Ayê

Mateus 10:29 Não se vendem dois passarinhos por um asse? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.

Entende-se o “NADA”como o Cáos, ao final do Orum ( ao final do Céu)
Oxossi deus da caça; Ogum, Senhor dos Metais; Aroni Deus da Mata que tudo sabia sobre plantas/Gnomo de uma perna só, muito parecido com a lenda do Saci Pererê
Xangô é um Orixá de fogo. Por sua origem real, Xangô é o Santo da Justiça,
PONCE,Anibal.Educação e Luta de Classes.(Educação da sociedade primitiva e Antiga).Editora Vozes.

Afoxé / Grupo, banda de percussão da Bahia em homenagem a Criação da Terra
O incesto não era considerado pecado na mitologia africana, sendo abominado o estupro em tal sociedade.

Essa passagem mitológica africana corrobora o ditado popular dos dias atuais “por trás de um grande homem, tem uma grande mulher”(entenda-se “por trás como nas ações de um grande homem tem uma grande mulher)

Alajá era o oleiro do Orum, céu dos Deuses africanos...

Geneis cap 2:7 E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente

Ao referir-se a Cabeças devemos entender como corpo inteiro(ser humano completo-homem –mulher)

Esta versão é muito parecida com a versão católico cristã do Genesis,3: 32, 35, contudo o Ibadu é muito mais antigo que a bíblia Crista e Grega
Cooper, J. C. Yin & Yang, a harmonia taoísta dos opostos. Ed. Martins Fontes, SP 1981//

O diagrama do Taiji simboliza o equilíbrio das forças da natureza, da mente e do físico. Yang (preto) e Yin (branco) integrados num movimento contínuo de geração mútua representam a interação destas forças.

• Na Grécia antiga essas forças difusas que se completam são chamadas de Arkê:Principio de todas as coisas

NETO, Francisco Carlos Aguiar de.Vivendo e Lembrando:Historias,Filosofias e Poesias.Editora Ieste, Salvador-BA, 2010

WHITMAN, Christy .O jovem Martin Luter King.Editora Alexandria
Helena de Esparta, esposa de Menelau de Esparta era filha de Zeus e detinha o titulo da mulher mais bonita do Mundo/Mulher dos olhos Glaucios e lábios ambrósios. Vêr STEPHANIDES, Menelaus:A ilíada:Guerra de Troia.///Afrodite = Deusa Grega da Beleza e do Amor

Talvez nos tempos atuais esse tipo de senha para entrar na reunião não servisse pois é comum atualmente homens terem seios iguais ou até mais perfeitos que as mulheres com as cirurgias de implantão de cilicone e mudança de sexo

BOFF, Leonarodo. A águia e a galinha. Uma metáfora sobre a vida...

Ver Bíblia sagrada A historia e Jesus Cristo e as Mulhres. Gangê, Francoise
CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. Ed. Palas Athena. São Paulo, 1999

Poesia de Francisco C. de Aguiar Neto, publicada no Livro.Vivendo e Lembrando: Histórias, Filosofia e Poesias.Editora IESTE,Salvador, 2010